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Produtora cultural, aprendiz de escritora e fotógrafa, devoradora de livros e chocolates, "fazedora" e mantenedora de amigos.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Dói, machuca.

Machuca

O mundo doente
Reativo
Odioso.

Dói
A natureza perdida
Apodrecida
Vencida.

Almas machucadas
Tentando ferir
Encontrando o gozo
Na dor do outro
Na tentativa aflita
De curar suas feridas.

Mentes embotadas
Confusas
Obtusas.
Procurando a razão
Na palavra vazia
No fim do dia.

Machuca tanta solidão coletiva
Tanto vazio,
com suas certezas erguidas
Bradadas aos quatro ventos
De suas janelas escondidas.

Dói, 
Porque também vejo
Gente dolorida, colorida
Tentando encher de cor
este mundo cinza
Tirar da lama, o fértil
Tirar da dor,  o afeto.

Dói e alivia,
Porque se vejo
A luz apagada, a cor esmaecida, a noite fria
Vejo também gente bonita
Calorosa,  cheia de amor
Tentando iluminar caminhos perdidos
Abrindo a golpes de risada
Cada atalho possível, 
Cada coração esquecido da dor.

Machuca o peito, 
Mas trás esperança.
Porque quando ainda se sente,
Quando ainda podemos chorar
Pelas tristezas vividas.
É sinal de que ainda há força
Ainda há saída.

Aguardar, impacientemente, o anoitecer
Ninar, para que seja possível adormecer
Sonhar com realidades melhores
E levantar, para fazer o novo dia acontecer.

Mas dói, machuca. .

Vai!

 Deixar ir

Deixar-se ir
À correnteza levar

Soltar a mão
Quando o aperto afrouxa
Quando a vontade cessa

Deixa

Carrega contigo o momento
Gravado no olho
Salvo na pele

Vai

Perceba seus passos
Roçando novos caminhos
Tocando novas verdades

Solta

Libera no vento lembranças
No sopro constante do tempo
Guarda somente as saudades. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Quem sou eu?

 Quem sou eu? Onde me encontro?

Tenho procurado há tempos , esse ser essência, esse ser origem. Em vão.

Essência , origem, não se procura, sequer se encontra, está em lugar algum. É!

E o que é, não precisa existir. Não anseia ser aceito ou corresponder a expectativas. Simplesmente é!

E ao perceber isso, que simplesmente somos, os caminhos que não encontramos as respostas que tanto buscamos, a sensação de não pertencer, o vazio que nos preenche e dói, deixa de existir.

Porque o que é,  já está pronto. Seguir sendo não necessita busca, nem resposta, só aceitação e paz. Porque se esta onde deveria, vivendo o que precisa.
Você não está em lugar nenhum, nem suas respostas precisam ser buscadas. Você está apenas em você mesma. Sendo...

Mas não se engane, não é o velho "eu sou assim e ponto", somos seres em evolução,  sempre. Só não  está sob nosso controle essa evolução. A buscamos,  mas ela só se instaura quando se esta pronto pra ela. O buscar é o processo que nos torna prontos.  Apenas mas primordial. 

Tanto tempo

 Passei tanto tempo sem escrever

Sem dizer o que digo
Pensando no que sou
No que sigo
Em pra onde vou
E em quem vem comigo

Passei tanto tempo em silêncio
Imóvel como gato adormecido
Olhando para as horas passando
O tempo parado e falando comigo.

Passei, passou, passamos
As vezes parece inútil
Um vazio contínuo
As vezes me toma a enxurrada
Vida chega parecendo mansa, lenta
E atropela o dia, as horas, o domingo.

No fim,  o remanso me espera
O barco não construído
Recebido,  ofertado pelas águas
Que me veio salvou de mim,
Da angústia,  do sonho perdido

Me levou sem que notasse
Até o fim da jornada
Até a praia distante

O dia fresco,
A fogueira queimando
Uma lua brilhante
Um aconchego pulsante
O colo perdido
Achado enfim

Apenas mais uma parada
De um recomeço sem fim

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O que é, já está pronto

Quem sou eu? Onde me encontro?

Tenho procurado há tempos , esse ser essência, esse ser origem. Em vão.

Essência , origem, não se procura, sequer se encontra, está em lugar algum. É!

E o que é, não precisa existir. Não anseia ser aceito ou corresponder a expectativas. Simplesmente é!

E ao perceber isso, que simplesmente somos, os caminhos que não encontramos as respostas que tanto buscamos, a sensação de não pertencer, o vazio que nos preenche e dói, deixa de existir.

Porque o que é,  já está pronto. Seguir sendo não necessita busca, nem resposta, só aceitação e paz. Porque se esta onde deveria, vivendo o que precisa.
Você não está em lugar nenhum, nem suas respostas precisam ser buscadas. Você está apenas em você mesma. Sendo...

Mas não se engane, não é o velho "eu sou assim e ponto", somos seres em evolução,  sempre. Só não  está sob nosso controle essa evolução. A buscamos,  mas ela só se instaura quando se esta pronto pra ela. O buscar é o processo que nos torna prontos.  Apenas mas primordial. 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Recomeço

Reescrevo, 
Recomeço, 
caio de novo,
mas levanto
Encontro, 
Descubro e refaço.

Calo muitas vezes, 
por bastante tempo, 
mas falo.

Para o céu, 
para a chama da vela acesa,
Para o papel em branco,
Sobre a mesa

Deixo as asas secarem ao sol
para logo,
levantar vôo...

quinta-feira, 24 de junho de 2021

O sol e a lua

Estive apaixonada pelo sol e pela lua


O sol, vibrante, pleno

De olhos brilhantes 

Me fitava com espanto e alegria 


A lua, vestida de noite 

Me acolhia em suas sombras

E iluminava os meus dias


Em seu ímpeto de agradar 

O sol, exibido, brilhava e se espandia.


Com a serenidade de quem ilumina a noite 

A lua, atenta, me dizia em silêncio a que vinha


Estive apaixonada pelo sol 

Dono de si, orgulhoso de seu esplendor 


Estive apaixonada pela lua 

Guardando mistérios,  preciosa em sua sabedoria


Tamanho era seu brilho, 

e tão intenso o seu calor 

Que o sol não me cabia, 

Me queimava e causava torpor.  


Tamanho o mistério,  

O silêncio e a  noite escura 

A lua nunca me disse

Se me amava ou me queria nua.

sábado, 19 de junho de 2021

Não subtrai, multiplica.

 Dividir é uma delícia.  


Dividir o único  pedaço,  

o último gole, 

o lugar na cadeira, 

a cama vazia, 

aquele grande abraço, 

a sombra macia.

  

Dividir o que se tem,  

o que tem guardado no peito, 

o que resta no bolso, 

o que tem sobrando no armário, 

ao contrário do que no dicionário explica, 

não subtrai, multiplica.


Transforma pão em gratidão,

abraço pode virar alívio, 

mão estendida vira força, 

Conversa franca, perdão 

doce dividido se torna sorriso,

coração compartilhado vira luz. 


Distribuir o que se tem, 

liberta, 

transforma, 

amplia o seu universo 

e o do outro.  

E dá um alívio... 

terça-feira, 9 de março de 2021

Sobre o viver e o sentir

Sobre encontro de almas,  
que se reconhecem,  
como simplesmente já estivessem,  
como simplesmente já fossem. 

Sobre reconhecer e calar
Porque nada é tão simplesmente 
Porque a vida tem dessas
Mostra a possibilidade e diz: não pode.

Sobre ser, sobre sentir,  
Sobre viver e saber tanto
E não ter o domínio de nada. 
Nem de si mesma...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Sinto.

Sinto tanto,
Sinto muito!

Mais do que é devido.
Bem mais do que é dito,
Escrito....

Tanto quanto me existo,
Tanto quanto me conquisto.

Sinto tudo,
E resisto.

Um dia desisto.
Por enquanto, silencio,
Mas insisto.

E sinto tanto,
Muito...

domingo, 30 de dezembro de 2018

Tudo perfeito.

E aí,  você para pra pensar, lembrar de si mesma há tempos atrás,  do que achou que seria, dos caminhos que seguiria,  das previsões de onde e como estaria e percebe que foi tudo diferente, nada como desejado e planejado e, de qualquer forma, tudo perfeito.
E porque perfeito?  Se muitas coisas deram errado, pessoas te decepcionaram, o dinheiro diminuiu, aquele cara que fez seu olho brilhar não tinha os olhos brilhando como os seus,  e o lugar, o grupo que você tanto acreditou pertencer , nunca pertenceram a você?
Porque para cada adversidade você encontrou novas forças,  de cada medo você extraiu novas coragens, e a escassez te mostrou que nunca precisou de tanto. O amor que você sentiu, sente, mesmo que não correspondido,  te preencheu, te tornou mais cheia do seu próprio, te fez aprender que sentir, que amar, independe de reciprocidade, transformou seu mundo num lugar um pouco mais colorido, mais rico. A tristeza que você viveu, a dor que sentiu, o silêncio que em algum momento te oprimiu,  fizeram de você um ser mais interessante,  mais complexo,  mais pleno, porque agora, mais do que capaz de saber o que quer, saberá bem o que não querer mais. 
O lugar, as pessoas que nunca te pertenceram,  continuam existindo na sua vida,  sem posses,  sem obrigações,  estarão lá se quiserem estar,  e permanecerão se você permitir.  E quem não ficar, quem por um motivo ou outro tenha que partir, se transformará em  belas saudades, tristes lembranças ou delicada poesia.
Tudo foi perfeito porque fez de você quem é,  a pessoa que te habita,  os olhos que ainda serão capazes de brilhar outras vezes, e que te cumprimentam todas as manhãs,  no seu espelho. 
E de todas as grandes lições que a vida pode te dar, a de conseguir olhar nos próprios olhos e reconhecer lá no fundo um lugar seguro, onde você de fato gosta de morar, mesmo com todos os cantinhos escuros, com todos os medos que moram contigo, pode ser o maior dos alívios.
No final, você acaba percebendo que se souber transformar-se em aconchego, lar e companhia para si mesma, em qualquer lugar do mundo onde estiver,  você sempre estará em casa.

Boa noite!  Durma com os anjos.

Onde deveria.

Deitada sozinha,  no chão quente após um dia de sol, a menina reaprende a contar estrelas, tantas, tão silenciosas a nos espiar de longe, aguardando que as venhamos espiar de volta.
Ficaram ali, conversando,  aconselhando umas à outra,  despejando desejos, agradecimentos,  abrindo a alma dolorida,  expondo as feridas tão profundas.  Ali, naquele silêncio que parecia gritar milhões de perguntas,  a menina percebeu-se inteira, as respostas de suas amigas estrelas clareando suas dúvidas,  o vento frio da noite acordando cada célula. 
Desejando mãos que segurassem as suas,  desejando clareza em seus caminhos mais tortuosos,  desejando equilíbrio e força para dar os passos mais necessários.
A menina também agradeceu,  por cada abismo superado,  cada alívio sentido, cada realidade descoberta, agradeceu por ser capaz de sentir tanto e de sobreviver a si mesma, cada momento em que virou escombros e  conseguiu reconstruir-se aos poucos,  pedacinho por pedacinho. Agradeceu por cada mão que a salvou da enxurrada,  e cada abraço que acalmou seu coração.
Ali, sozinha,  conversando com o universo,  a menina percebeu-se pela primeira vez onde deveria,  e desejou estar nesse lugar sereno por mais vezes. O guardou dentro de si, para poder visitá-lo todas as vezes em que a realidade machucar e agradeceu imensamente por ser capaz de enxergar,  tão claramente,  tanta beleza.

2011

Chora o céu,
escorrendo de seu rosto,
terra e vidas estremecem.

Os dormintes,
despertos pelo derramar de seus mundos,
sacudidos pela realidade a invadir suas salas.

Serena o céu, 
nuvens abrem espaço
para que o sol espie. 
Abraços pelas esquinas
tornam o dia mais luminoso.

O despertar da cidade partida
como que a renascer das águas. 

Novos olhares
para os mesmos lugares,
agora outros.

Risos de crianças
em meio ao silêncio
do dia tristonho e sem luz.
O som da vida trazendo no vento
esperança e alívio.

Amores perdidos
encontram o caminho de volta, 
abraços apertados nos reencontros casuais
a trazer novos sentimentos,
ainda acompanhados da dor.

Unidos, mãos entrelaçadas. 
Perdidos, mentes atordoadas.
Mas o caminhar urge,
segue,
corpos reerguidos, 
uns apoiando os outros,
seguem.

Reerguendo a cabeça, 
retomando os passos, 
seguindo adiante,  juntos,
um pouquinho mais fortes
a cada passo. 

Seguirão.
Seguiram.
Seguem...

Caos e serenidade

Tantas vezes, mansidão de rio largo,
outras poucas, caos de correntezas bravias
sou serena quando me cabe
e turbulenta quando me é necessário!

Toda

Quem só sabe se dar por inteiro
Nunca vai se contentar com pedaços. 

Se eu te dou tudo
Te dou eu, toda
Corpo, alma...
Coração.

O retorno,  a reciprocidade, 
Não é tão necessária
a quem se tem inteira, não.

Porém, há sim o desejo
Duas veias pulsando juntas
Dois inteiros querendo ser um, grandão

Precisar mesmo,  não precisa não. 
Minha inteireza se sustenta
Tem força,  tem conteúdo,  asas até.

Um pedaço solto, incompleto 
não cabe em algo que já é.

Meu coração vida...

Meu coração grita
Pula e tenta voar
Guarda sentimento imenso
Intenso.
Ressoa palavra bonita
Cala tantas outras
Deseja acelerar o tempo
E sonha lento.
Sedento.

Meu coração bate forte
Em mim,
na minha mente aflita.
Faz retesar cada músculo,
Cada pensamento
Cada pulsar ansioso
No corpo todo
Que, desejante, agita.
Irrita.

Meu coração imenso, 
Desejoso, infinito
Intenso.
Carrega em si tanto peso
Sentimento mundo
Coisa bonita
E ao mesmo tempo bate
Grita.

Meu coração barriga
Anseia encher espaço vazio
Faminto.
Já reservado, 
meio preenchido,
mas sem palavra dita
sem história bonita.
Vivida.

E grita...




Todas as profundidades

Não vivo no raso,
passeio por todas as profundidades...
Soltar o corpo e boiar,
deixar fluir e,
quando não der mais pé, 
mergulhar fundo, 
Até encontrar o frescor, 
até sentir o silêncio, 
o alívio
E o ar escasso
A angústia da imobilidade
E o impulso final
Para cima
Para a luz,
Tocar de novo a superfície
Poder voltar à tona, 
e respirar,  aliviada.
Boiando, descansada, sorrindo
Preparando para o próximo mergulho.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Desejo

O que eu desejo?
Desejo silêncio para ler meus livros,  música para tomar meus banhos,  solidão para os dias de auto conhecimento e companhia para os de celebração.
Desejo poder acordar quando o corpo pedir, e dormir quando tiver vontade,  trabalhar com alegria e paixão, e vencer minhas ansiedades. Desejo caminhos bonitos e caminhar com tranquilidade.
Desejo viajar de vez em quando (ou de vez em sempre), conhecer lugares, pessoas,  paisagens,  culturas e sabores incríveis, desejo um ninho para onde voltar, e um colo gostoso para me receber.
Desejo por-do-sol, céu estrelado,  banho de chuva nos dias quentes e fogueira aquecendo as noites geladas (abraços também servem).
Desejo noites aconchegantes com meus livros e meu  edredom, me esparramar na cama como se o mundo fosse meu berço e uma conchinha bem vinda quando o estar junto valer o preço.
Desejo fazer gostosuras quando me der vontade, para mim, para meus amigos, para meus amores de verdade. Desejo amores, de todos os tipos,  os que o são desde o berço, os que sempre foram, desde outras vidas, os construídos desde a infância e os reconhecidos em meus caminhos,  aqueles que me esperam em algum canto do mundo e aqueles que, mesmo nunca vividos, serão sempre sonhados.
Desejo coisas, desejo emoções, afetos e construções.
Desejo imprimir movimento e colher calmaria,  planejar cada passo e ser surpreendida pela estrada,  desejo procurar o que me preenche e ser encontrada pelo que me falta.
Desejo desejar o bastante para ter realizado o suficiente. Desejo um querer constante para, no fim, doar todo o sobressalente.

Sou...

Tantas vezes, mansidão de rio largo,
outras poucas, caos de correntezas bravias
sou serena quando me cabe
e turbulenta quando me é necessário!

domingo, 9 de dezembro de 2018

Vidas inventadas

Vivo tudo intensamente.  Minhas paixões são das mais intensas,  as vezes solitárias,  mas em um sentir já imagino e vivo uma história inteira.
Crio em minha mente toda uma vida,  noites em claro, conversas deliciosas sob as estrelas,  pele, cheiro,  torpor.  Crio futuro, filhos, varandas.  Tardes serenas,  chuva fina,  lareira, edredom. Mãos dadas, sorriso farto,  sono gostoso, junto.
Invento as brigas que teremos,  os momentos de tensão e dor,  sempre seguidos daquela conversa longa,  corações abertos, perdão.
Invento minhas paixões e as vivo, como se reais fossem.
Vivo vidas inteiras a cada delírio.  E paixões intensas em cada alma afim que me esbarra. Felizmente almas afins são raras e a escolha de estar junto precisa ser mútua.  Nem sempre é.  Quase nunca. Mas sigo criando todas as vidas que desejo, intensamente  e aguardando o momento em que a minha escolha seja também a do outro.
Enquanto isso, sigo com minhas muitas vidas, inventadas, e intensas...