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Produtora cultural, aprendiz de escritora e fotógrafa, devoradora de livros e chocolates, "fazedora" e mantenedora de amigos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem fundo...















Como um rio
me vejo fluindo sem rumo
perdendo improváveis desvios
vertendo incontáveis soluços

Como um rio
me percebo sem fundo
lançando meus braços ao redor
procurando tatear o mundo...

domingo, 28 de março de 2010

Ser

Ser completo e penetrante,
entrou em meus sonhos e se tornou um deles,
entrou em minha vida e inverteu as expectativas,
saiu de um roteiro de sombras e trouxe luz.

Vertendo lágrimas. perdemos o caminho
esbanjando gozo, crescemos sozinhos
fomos passando, vivendo, deixando
transformando a vida em um leve pulsar.

Viajo para lá
e lá vou ficando
perdendo sonhos pelos caminhos
dormindo em ninhos de passarinhos

Bebendo gotas doadas pelos céus,
sigo perdida em sonhos nossos
sorvendo o leve sorriso na brisa,
permaneço onde estou e descanço em mim mesma.

O Dia da amiga

Dias em que nos encontramos e matamos saudades dos velhos tempos, de dez, quinze anos atrás, onde bebemos, comemos, rimos de nada, rimos de tudo, nos vemos a sós, sem “nossos” homens, filhos, sobrinhos, pais e mães para nos preocupar e nos censurar.

Dias em que nos vemos livres das travas que os anos e a idade nos exigem que criemos, sem as seriedades que a sociedade nos impõe que tenhamos, sem o bom comportamento e bom exemplo que nossos filhos, sobrinhos, afilhados, nos exigem.

Falamos, falamos e falamos, e rimos muito, fazemos caretas, nos abraçamos, nos contamos segredos e dizemos verdades, desabafamos, gargalhamos umas das outras, umas com as outras, umas contra as outras.

Tiramos fotos secretas, que apenas nós podemos ver, mostramos coisas secretas, que apenas nós podemos saber, dizemos coisas absurdas, que apenas nós podemos ouvir.

E gargalhamos de tudo isso.

E quando finalmente acaba a noite, voltamos para nossas casas, com as bochechas coradas e doendo, com o coração pulsando e cheio de afeto e carinho por aquelas pessoas que há tanto tempo fazem parte de nossas vidas. Que podem sumir por um tempo, podem estar ocupadas demais com suas vidas, com seus trabalhos, filhos, maridos, com seus novos amigos, mas que volta e meia nos dão um telefonema rápido e gostoso, e estarão presentes nos momentos importantes, nos momentos em que realmente precisarmos.

E o mais importante de tudo, podemos sempre contar com elas!

De Novo!!!









De novo,

mais uma noite sem dormir,

cheia de lembranças do passado

cheia de grandes planos para o futuro

povoada de medos, inseguranças, ansiedades

regada a sangue quente

plena de suor frio


De novo,

nova fase de noites brancas

cabeça cheia

cama vazia


La fora, o calor da noite superaquece

os infelizes que dormem,

aqui dentro, o vento gelado me diz

como é triste acordar sozinha.


Por isso não durmo,

para não ter que acordar,

para não lidar com a vida,

e seus falsos sinais

de esperanças perdidas.


Por isso não fecho os olhos,

para não enxergar além

da concretude que me cerca,

para que eu, que moro aqui dentro,

continue achando perguntas

e procurando respostas no “lá fora”.


E permaneço acordada,

acendo as luzes,

leio palavras escritas por outros,

em suas noites brancas,

escrevo segredos ocultos do mundo,

em meus dias escuros,

e sonho em dormir!!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Olhos descritos por outro...




Certas pessoas tem um sensibilidade tão aguçada que uma imagem ou palavra de um outro inspiram poemas.
Com muita sensibilidade Eduardo escreve sobre meus olhos, sobre minhas palavras, e o faz com tamanha sensibilidade que fala de todos os olhos do mundo e de toda a beleza contida neles.
Gratíssima Eduardo, pelas palavras, pelo gesto, pelos sentimentos descritos.
Compartilho com todos suas belas palavras...

"Os olhos de Mariana são como poucos: eles dizem tudo, bem explicado, sem esconder nada.

Debruçada à janela, em atitude de observação atenta, a dona dos olhos se deixa ver em preto e branco, estática. Cotovelo no peitoril, a mão esquerda no queixo apóia a cabeça. Ela e seu par de olhos que dizem tudo.

À distância, não percebo detalhes dos olhos reveladores de Mariana. Mas o que sai deles é a certeza de quem espreita a vida, como se emitisse muxoxo conformado por ela não ser exatamente o que se sonhava. Daqui onde a vejo, ela me observa. "Se quiser saber quem sou / não me julgue / não me analise / não me preconceba / apenas olhe nos meus olhos".

Apesar de tudo, há confiança no olhar de Mariana. Seus olhos não calam, não negam. Não traem. Como tantos olhos fugidios, que vagueiam para não encontrar outros como os de Mariana.

Não preciso saber quem ela é. Além de conhecer-lhe a mãe, seus olhos e sua poesia me contam dessa moça que ama os amores, os amigos e a vida. Seu olhar vai pelo tempo, passa pelo satélite, percorre circuitos e chega ao meu monitor. Adverte-me sobre a possibilidade de, olhando bem lá no fundo, encontrar "...uma sombra de melancolia / uma sensação de solidão e até uma fina tristeza".

Dizem também de água, os olhos de Mariana.

Seus olhos dizem tudo."

sábado, 3 de outubro de 2009

Descoberta














Dor,
Na certeza de que tudo acabou
Na ilusão de um dia ter sido

Inteiro, intenso
Parte de sonhos complexos
Todo de pedaços colados

Dói,
Encontrar verdade no que foi dito
Ouvir o que jamais será proferido

Dói mas liberta
Abre caminhos
Encerra feridas

Desaba barreiras erguidas por medo e esperança
Surgindo luz por detrás de lágrimas derramadas

A dor se esvai
Para o lugar de onde veio
Para o seu mundo, de complexas teias de afetos

Descubro, então, como o amor também é triste
E como é livre quem escolhe onde acaba a dor.

Meus olhos...









Se quiser saber quem sou
Não me julgue
Não me analise
Não me preconceba
Apenas olhe nos meus olhos


Quando eu estiver cantando, me observe
Perceba meu sorriso em um banho de cachoeira
meus braços abertos em um banho de chuva
Ou um simples papo com os amigos em uma mesa de bar


Olhe nos meus olhos
E veja toda a minha paixão
Pelos meus amigos
Pelos amores que passaram em minha vida
Por meus planos e sonhos


Veja meus desgostos, problemas
E relações mal resolvidas
E garanto que não encontrará, em meus olhos,
Ódio ou amargura


Olhe lá no fundo
E talvez encontre uma sombra de melancolia,
Uma sensação de solidão e até uma fina tristeza
Que me fazem, cada vez mais, mergulhar nos meus olhos
E me conhecer melhor, me encontrar lá no fundo


Se quiser me conhecer,
Olhe nos meus olhos


Eles estão cheios de água?
Pois eu sou água
Fluida, frágil e completamente transparente
E capaz de chegar onde quiser


Não me analise, apenas me olhe
Apenas olhe meus olhos
Ouça o meu canto
E se quiser, cante comigo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA

Não costumo postar aqui textos escritos por outros. Mas este me falou tão alto ao coração, me soou tão intimamente conhecido, que resolvi postá-lo e torná-lo parte de minhas descrições do mundo e dos meus sentimentos, só que desta vez traduzidos por palavras de outro. E que outro!

"Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.

Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos"

© Manoel de Barros

sábado, 1 de agosto de 2009

HIstórias a contar!!!















Meu momento de crescimento
é meu momento de luz
onde meus olhos se mostram translúcidos
e minha alma se desnuda
a quem por ela quiser enxergar

Meu momento é este!
De descoberta,
de superação,
de retomada de controle do meu caminho
de retorno ao lugar onde residem meus sonhos

O momento é este
O controle é meu
e a verdade esta ai

Luto minha batalhas
de mãos dadas comigo mesma
com o coração dos que amo no peito,
ao lado do meu

Passeio pela vida
contente com os dias de chuva
que me refrescam e lavam a alma
feliz com os dias de sol
e com as sombras que encontro pelo caminho

Corro em direção à vida
e escolho meus passos

Por vezes preciso dar meia volta
e recomeçar,
agradeço por isso,
pois adoro ter histórias a contar!

domingo, 19 de julho de 2009

Univvverrsso Gentileza


O projeto Rio com Gentileza foi um dos projetos em que trabalhei que mais me afetou.
Trabalhar com a história do profeta e com suas filosofias e posturas diante desse nosso mundo me vizeram enchergá-lo, o mundo, de outra forma. Pequenas atitudes podem tornar-se grandiosas se as realizarmos com verdade. E voltar a trabalhar com o profeta e com sua obra, para mim, será um retorno a meu momento mais brilhante, como pessoa e como vivência dos meus afetos. Enfim, bem vindo(a) de volta à minha vida, Gentileza.

O livro Univvverrsso Gentileza recupera a pesquisa inicial realizada pelo Professor do Departamento de Arte da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Movimento Rio com Gentileza Leonardo Guelman sobre o Profeta Gentileza, produzida durante o Mestrado em Filosofia na UERJ, sob orientação de Leonardo Boff. A publicação recupera ainda os conteúdos do livro Brasil Tempo de Gentileza, também de Guelman. (site http://www.gentilezageragentileza.com.br/)

Lançamento em Curitiba - dia 22 de julho de 2009 nas Livrarias Curitiba

Certa vez me disseram que não deveria mais falar POR FAVOR e MUITO OBRIGADO, palavras que havia aprendido na infância e usado por toda a minha vida como corretas e educadas, e sim em seu lugar POR GENTILEZA e AGRADECIDA. Achei meio absurdo e exagerado. Apesar de as novas palavras serem bem agradáveis e fazer sentido sua utilização, me soavam estranhas aos ouvidos e me sentia meio automatizada ao dizer aquilo que não me saia naturalmente e que me ‘obrigava’ a utilizar expressões que não faziam parte do meu vocabulário. Sempre tive dificuldades em executar algo que me disseram ser o correto sem explicações e convencimento.

Então fui ler a história do profeta, conhecer melhor sua história e vida, de como tinha abdicado de tudo para ensinar estas palavras, de como tinha deixado a convivência com sua própria família para consolar outras tantas por suas perdas, de como havia enfrentado e confrontado toda uma sociedade ao tomar as ruas e propagar sua mensagem bonita, coerente e agressiva em uma década que se dizia libertária. Passaram-se os anos e ele se manteve ali, fiel aos seus princípios e à suas verdades e novamente próximo de sua família. Tido como maluco por alguns, se dizia maluco beleza. Tido como insano por muitos, esbravejava suas palavras gentis. Visto como um profeta urbano era tratado com o carinho e a gentileza que tanto propagou. Viajou por todo o Brasil, cativou pensadores e ganhou muitas estampas nos jornais. Então tornou suas mensagens concretas ao escrevê-las no próprio concreto, em um lugar por onde as pessoas, antes, apenas passavam. A este lugar cheio de fumaça, cinzas e muita sujeira, trouxe a beleza, a cor, a simbologia e a sonoridade de suas palavras. Fez-se presente na vida da muitas pessoas que até então apenas o tinham visto de relance, ou ouvido falar do louquinho do circo em cinzas.

Fez-se ouvir pela palavra escrita, fez-se notar pela figura não vista.

Me encantei pela sua história, e então já fazia sentido tentar usar ‘suas’ palavras. E passei a usá-las, com prazer, com gentileza. Quando passei a usá-las me espantei ao observar as reações das pessoas. Ao contrário do POR FAVOR, que é recebido naturalmente, até indiferentemente sem maiores reações, ao abordar alguém com POR GENTILEZA a pessoa para, levanta o olhar, presta atenção a quem esta falando e ao que se esta falando e até, às vezes, esboça um leve sorriso de satisfação de poder realizar uma gentileza a alguém que a esta pedindo.
É impressionante a boa vontade, na maioria das vezes, com que se é recebido, atendido e tratado ao pronunciar tais palavras de tão grande expressão.
Descobri o poder da palavra, a importância de se notar o significado delas antes de usá-las automaticamente, e sua relevância na propagação de uma intenção, um conceito ou uma mensagem que se queira propagar.
Hoje peço POR GENTILEZA, me digo AGRADECIDA e vejo portas e sorrisos abrirem-se ao soar de palavras tão simples, tão belas e tão significativas.