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Produtora cultural, aprendiz de escritora e fotógrafa, devoradora de livros e chocolates, "fazedora" e mantenedora de amigos.

domingo, 15 de abril de 2018

Manda nudes

Manda nudes
Pedaços de suas verdades
Um pouco de todo o esquecido
O que te toca e arrepia extremidades.

Desnude-se inteiro e me mostre
Escancare o que andou escondido
Partes intocadas de todo o não visto
Cada delírio, cada ansiedade.

Manda nudes da alma,
de seus desejos e possibilidades
De tanta coisa guardada e vivida
Lembranças escondidas de cada paisagem.

Mando, em troca, meus sonhos
Meus segredos e minhas vontades
Mando vislumbres de pele
Mando desejos, mando saudades.

Manda nudes da alma,
Vamos trocar confidências
Mergulhar mais fundo um no outro
Para, no fim, o encontro, o toque,

Descobrir na superfície a profundidade. 


quarta-feira, 28 de março de 2018

Por onde eu for...

Por onde eu for, que me acompanhem os pássaros...
Eles levam sonhos no bico e a leveza nas asas.
E desejo leveza e sonhar, e asas para que me ensinem a voar.

Por onde eu for, que me acompanhe o vento,
Para que eu siga suave como brisa fresca
E esteja preenchida com a força do tempo.

Por onde eu for,  que me sigam meus passos,
Certos de que, seguindo, constroem caminhos
Esperançosos de que permaneçam em meus rastros.

Para onde eu for, que me recebam outros braços
Presentes na despedida dos finais de caminhos,
E na acolhida pela chegada, aninhada após o cansaço.

Por onde eu for,
Em cada encontro bonito
Que me sigam os amores construídos
Que venham comigo, morando em meu peito  todos aqueles por quem meu coração foi tocado.  <3 p="">

domingo, 18 de março de 2018

Flutuando

Silêncio
Chiado baixinho
Sob você,  vida em movimento
Pulsar sereno, constante

Acima,
todas as coisas,
o céu,  a luz,
Imensidão brilhante.

Deixar fluir, 
Deixar-se ser
Deixar seguir
Num flutuar errante

Entregue
Atenta
Consciênte
Alerta

Deixar-se ser o que se é
Retomar planos
Reorganizar metas
E mesmo assim, solta,  certa.

O perdoar-se como prioridade
Perdoar o outro,
simples,
mera formalidade.

Livre dos pesos da culpa, 
Flutuar é o que importa
Aproveitando o embalo da onda
Aguardando a próxima parada

Aportar mais uma vez,
mas de olho no vento
Pois para zarpar, 
basta a vela pronta.

sábado, 3 de março de 2018

Só coração

Eu sou só coração
Coração e esperança. 
Encantamento com um gesto gentil.
Calorzinho no peito com um sorriso de cumplicidade .

Sou inteira coração
Pulsa intensamente no beijo recebido
Da delicadeza tira brilho
Do toque breve arrepio.

Sou coração e bato acelerado.
Insano e sem filtros que o impeçam de querer ser dado.
Vive sozinho,  batendo separado
Mas sonha ser junto, quase transplantado. 

O sentir, só!

Sentimento indistinto
Guardado no olho
Alijado do verbo
Como garoa no estio

Sentimento tão terno
Vestido de horas
Dançando no tempo
Entre chegar e ir embora

Sentimento sereno

Claro como observação atenta
Construído de pequenos momentos
Das lembranças inventadas
De um tempo sem memória. 

Posto em silêncio
Lindo como poderia ter surgido
Suave como o passar do tempo
Angustiante como nunca ter sido

Sentir assim, tão intenso
Tão quieto como nascem tempestades
Frustrante como plantar desejos
E colher saudades.





terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Em silêncio. 25/01/2017

Silêncio, 
Pacientemente renovando
Solitariamente construindo

Construindo estruturas internas
Demolindo certezas ultrapassadas
Faxinando teias secretas

Em silêncio percebe-se mais
A si, ao redor, os ruídos

E prepara-se para quando a música retornar

Para ouvir
Para sentir
Para bailar,

Quando a vida vier lhe tirar pra dançar.

Sobre abismos e asas

A vida, de surpresa
Passa a rasteira, atira no abismo
Sem aviso ou tempo pra ensaio.
A saída é improvisar.
No meio da queda,
No meio do susto,
Ainda no ar,
Abrir as asas
E aprender a voar.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sejamos!

Tanta gente, tanta solidão. 
Olhos perdidos em universo paralelo.
Imensidão digital, solidão analógica. 
O outro transformado em abstração, 
enquanto eu, eu não sou obrigado.
O outro é incomodo,  atravancando caminhos, discordando de mim.
Como ousa existir?
Eu e eles, certo ou errado, preto ou branco, direita ou esquerda.
Não mais importa o todo, apenas a parte que me toca.
Chega!
Necessitamos de liberdade,.pensamento amplo, olhar generoso.
Sejamos infinitos, sejamos horizonte,  sejamos círculo, espiral, inspiração constante.
Erguer os olhos,  olhar para a luz repentinamente, cega, machuca, mas aos poucos acostumam-se os olhos e surgem as cores, surge o infinito, a imensidão.
Jogue-se!
Viver dói,  mas não sentir, não aprender a tocar a alma do outro, a viver intensamente cada segundo, dói mais e custa mais caro.
Jogue-se! Mergulhe na água fria. A pele arrepia, a mente desperta, a paisagem fica mais sublime, a luz mais bonita,  brilhante.
Bora viver?
Bora sentir plenamente?
Você vai gostar.
Acredite.
É emocionante.

Inspiração, de onde vem?
Da alma cansada de tanto sonhar?
Do corpo sedento, insistindo em acordar?
Da vida correndo, da noite morrendo, da mente apagando e querendo pensar?

Que se acabe...

Querendo mais é que o mundo se acabe. Que tudo acabe em festa, com dança, suor e cerveja, com gente se amando e querendo viver.
Que se acabe em beijos que sejam bem dados,  daqueles estalados, beijos molhados,  que te façam quase morrer.
Que o mundo se acabe em festa, com gente na beira da praia, cantando pro dia acabar. 
Torcendo pro fim chegar colorido, alertando todos os sentidos, luzes, sons e sabores perdidos, tudo espalhado pelo céu.
Todos juntos,  desejando de mãos dadas,  que ele se acabe feito a madrugada,  que trás a esperança no breu.
Que se acabe tudo, e recomece. Que exaustos a gente adormeça,  e acorde querendo sorrir.
Acordaremos no reinício de tudo, onde a vida esteja mais leve, o continuar seja vontade,  de fazer, realizar, construir.  Onde o outro não seja ameaça,  a diferença apenas um traço e onde tudo se possa repartir.
Quero mais é que o meu mundo se acabe,  pois dos fins é que nascem os começos, e da vontade o primeiro passo pra conseguir.