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Produtora cultural, aprendiz de escritora e fotógrafa, devoradora de livros e chocolates, "fazedora" e mantenedora de amigos.

terça-feira, 7 de março de 2017

Encontro

Me pego olhando o que fiz,
o que faço da minha vida,
onde procuro meu colo,
onde curo minhas feridas

Percebo que me curo curando,
nas dores do outro, encontro a saída
no seu caminho me encontro um pouco
nos seus amores, a despedida

Me vejo me dando,
sem esperar retribuição,
querendo, é claro, ser amada
mas amando sem que haja razão

Nem sei onde me perco, nesse caminho
Sei que nele me encontro, e nele estou
posso ficar, partir, voltar, seguir sozinha
mas sentir, doar o que sinto, é quem eu sou.

O caminho sempre foi meu objetivo
O caminhar, uma decisão
O encontro, se torna alimento
Doar o que vem de dentro, obsessão...

Minha poesia morreu

Minha poesia morreu.
Ela morre e renasce todos os dias.
A cada bela paisagem vista, retorna gloriosa
e em cada triste pensamento, ela termina.

Minha poesia permanece viva,
ela ganha força, nas minhas noites insones,
e desanima, no abrir de olhos,
morta na frieza das contas vencidas.

Minha poesia é do mundo,
procura emoções por todos os caminhos
se perde nas esquinas, nos desafetos ganhos
e sempre acaba se encontrando, mesmo sozinha

Vida e morte são transições difíceis,
e a poesia se alimenta das inconstâncias
da dor final, ela tira belas saudades
e das fases da vida, doçuras inenarráveis.

Passo a vida procurando minha poesia,
em cada fresta encontro um pedacinho,
o choro surge quando parece perdida
e por detrás das lágrimas, renasce, ganha vida.

A voz do "polvo'

Eu quando criança era daquelas sonhadoras, que transformava pensamentos abstratos em mundos reais, fantásticos e os vivia intensamente, e os materializava em meu pequeno universo pessoal que era o meu quintal. Ao mesmo tempo era dona de um pensamento literal, quase científico, sobre as coisas que ouvia as pessoas dizerem. Talvez porque a palavra, pra mim, sempre tenha sido meio sagrada e a verdade inevitável. Ainda é. 
È muito difícil pra mim até hoje, dizer mentiras sem que meu rosto me denuncie imediatamente, nem apenas meio verdades, mesmo que sejam essas necessárias como muitas vezes são. Uma pessoa meio poliana que é capaz de dizer a verdade completa até mesmo para o seguro do carro, sem nem imaginar que falar esse tipo de verdade quase sempre te deixa na mão, sem carro, sem seguro, sem possibilidades. "Mas, caramba, eu disse só a verdade pra eles."
Enfim, como dizia acima, quando criança eu tinha o pensamento muito literal sobre o que eu ouvia, quando minha mãe mostrava para uma amiga, por exemplo, uma foto do meu pai e dizia que era uma imagem dele "sem barriga", minha mente literal se punha a imaginar meu pai pela metade, com o peito ligado diretamente á pelvis, sem a barriga no meio, era uma imagem bem estranha, confesso, e como minha mãe me conhecia bem, ainda conhece, rapidamente notava pela minha expressão o tipo de pensamente que se passava naquele momento e rindo me explicava do que estava realmente falando.
Ditados populares pra mim eram grandes enigmas, "a voz do povo é a voz de Deus", por exemplo, na minha cabeça virou "a voz do polvo é a voz de Deus", o que me tomou vários dias de raciocínio, conjecturando sobre o que aquilo queria dizer. Como seria a voz do polvo? E porque deus colocou nesse ser tão "diferente" sua voz? Seria sua voz rouca, profunda como o lugar onde vive tal criatura? Será que Deus fez isso para que nos fosse bem difícil ouvir sua voz, fazendo com que para ouvi-la devêssemos de fato nos esforçar muitíssimo para alcançarmos tamanha profundidade, para encontrar o ser que nos permitiria conversar com ele.
Deus, nesse momento, se tornou um ser fascinante pra mim e seus desígnios motivo para que eu começasse a pensar muito sobre ele e o mundo fascinante onde vivíamos.
Venho pensando muito desde então, as vezes insanidades completas que descarrego em cadernos e em escritas virtuais que por vezes vocês encontram por aqui, as vezes soluções possíveis, para mim e meus pequenos/grandes problemas pessoais, para pessoas próximas (que não me pediram solução nenhuma) e até para o mundo, que continua seguindo seu curso sem que minhas grandes soluções para ele sejam de fato colocadas em prática. Fato é que continuo, aqui dentro, sendo aquela menina sonhadora, literal, olhando o mundo com olhos brilhantes, falando as verdades em que acredita, tentando sempre descobrir os seus mistérios e porquês e encontrar explicação para cada um deles.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Antiga

Já nasci antiga, com o olhar atento
aprendi a gostar de sabores azedos,
e a dançar quando a música se apresenta
aprendi a olhar nos olhos do outro
e a cantarolar quando me sinto só
a sonhar quando a realidade endurece a paisagem
a caminhar quando a cabeça ameaça explodir
aprendi que cada passo constrói uma estrada
e que quanto mais aprendo, mais terei a descobrir...

domingo, 15 de novembro de 2015

Livre!!

Liberdade também é escolher ficar
Pousar quando o vôo já não enche as asas
Deixar partir quando o estar já não mais completa
Respirar fundo quando a tristeza bate à porta

Liberdade também é som de silêncio
O abrir de olhos quando o sono se foi
O apagar de luzes, quando a platéia saiu

Acomodando escolhas, limpando lembranças
A liberdade surge quando se está em paz
E os monstros foram esquecidos

Liberdade também é escolher sorrir
Quando o coração já cicatrizou
E a saudade começa a virar lembrança

Quando passou o turbilhão,
já se pode abrir as asas ao sol..
E escolher se levanta voo ou não.

domingo, 6 de setembro de 2015

Sabe o que eu realmente queria? O que eu sempre quis?
Leveza e verdade!
Só... sem cobranças, sem culpas, sem amarras. Apenas a bela e gostosa atração mútua. Pura e simplesmente querendo ser um.
Conversas gostosas seriam um bom complemento, com muito riso e afagos singelos.
Momentos de silêncio, de breve desentendimento... Quando um toque ou um carinho resolvem tudo.
Queria verdade no olhar, no toque, na pele. Querer estar por perto só por estar.
Queria paz... e "a sorte de um amor tranquilo", meu como só o que quer se dar pode ser. Meu porque quis ficar, meu porque está livre para ser, para querer, para seguir, meu porque é, porque está...
É só o que eu queria...

terça-feira, 14 de julho de 2015

Não me caibo...

Não me cabe,
não me caibo
transbordo
transformo
transponho

e me pertenço

sendo dos outros sou mais minha
esparramando, situo

e não me caibo

sou mais,
muitas
e me pertenço...

sábado, 8 de novembro de 2014

Silêncio

Meu caminho busca o silêncio,
as vezes encontra música, boa ou dissonante,
Na maioria das vezes, encontra só vento
mas a todo tempo, procura o restante.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Me desdizendo...



Sabe o que eu quero? Nada.
no momento não quero nada além de paz, de tranquilidade.
Não quero nada que não venha porque quer, nenhum movimento que não seja espontâneo, nenhum carinho que não seja puramente para acarinhar.
Não quero nada que me impeça de voar, que me peça para ser o que não sou, que me impeça de me dar.
Pensando bem, não me desdigo, não quero nada que me faça desistir de tudo, da essência, de mim.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Estive...

Estive apaixonada,
já não sei mais

Amor, talvez seja o que sinto
amor doído
amor machucado

De bater no peito e dizer, acorda!
de bater cabeça e pensar, que merda!

Estive apaixonada, intensamente

não encontro mais o caminho de volta
não percebo mais pra onde deveria ter ido
mas lembrei que de repente a gente acorda

e percebe que caminho é pra seguir,
vida pra aprender,
e amor pra ser vivido.