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Produtora cultural, aprendiz de escritora e fotógrafa, devoradora de livros e chocolates, "fazedora" e mantenedora de amigos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Caçando estrelas no chão
Encontrando verdades infinitas
O universo aos pés
O destino nas mão.

A menina segue caminhando
No caminhar encontra a si mesma
Se dá as mãos e em um suspiro aliviado
Sabe que chegar nunca foi o objetivo.

O vento frio refresca a alma cansada.
O corpo gelado percebe-se verdadeiramente.
O coração desperto descobre nas imensidões
Que amor dado é amor multiplicado por milhões

Amor despertado
Vivido
Distribuído
Não se pretende dono
Se pretende livre
De si
Do outro
De tudo

Quer o que o universo é capaz
Percebe o que o infinito esconde.
A verdade está no sentir.
E receber é bem mais do que o aqui.

Deseja o contato, o retorno imediato.
Mas recebe o que precisa
Por todos os caminhos.
De todos os lados.

Espalhando sementes
O florescer é certeza.
Embelezar o caminho do outro.
É mais do que objetivo
É processo
É escolha
Destino
Delicadeza.

Sigo catando estrelas
As encontro onde menos espero
O céu infinito, não é seu único lugar
Seu lugar é nos caminhos, esparramadas
Iluminando quem às encontrar.
Tanta gente, tanta solidão.
Olhos perdidos em universo paralelo.
Imensidão digital, solidão analógica.
O outro transformado em abstração,
enquanto eu, eu não sou obrigado.
O outro é incomodo, atravancando caminhos, discordando de mim.
Como ousa existir?
Eu e eles, certo ou errado, preto ou branco, direita ou esquerda.
Não mais importa o todo, apenas a parte que me toca.
Só que não.
Chega!
Necessitamos de liberdade, pensamento ampliado, olhar generoso.
Sejamos infinitos, sejamos horizonte, sejamos círculo, espiral, inspiração constante.
Erguer os olhos, olhar para a luz repentinamente, cega, machuca, mas aos poucos acostumam-se os olhos e surgem as cores, surge o infinito, a imensidão.
Jogue-se!
Viver dói, mas não sentir, não aprender a tocar a alma do outro, a viver intensamente cada segundo, dói mais e custa mais caro.
Jogue-se! Mergulhe na água fria. A pele arrepia, a mente desperta, a paisagem fica mais sublime, a luz mais bonita, brilhante.
Bora viver?
Bora sentir plenamente?
Você vai gostar.
Acredite.
É emocionante.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A sua paz

Eu quero ser a sua paz,
O colo necessário
O beijo doce
Eu quero ser aquela que acalenta,
O ombro que apoia,
O inteiro que completa.

Desejo me dar para ser plena,
Acarinhar para estar serena,
Receber em meus braços
Para ao final do dia, aconchegar-me
Inteira.

Clareza

Clareza é a palavra
Clareza no olhar, que traduz a alma
Na leveza da mente, que guia e traz calma
No caminhar decidido, para onde é preciso ir
No modo de ver, no pensar e no agir


No decidir, eis o caminho
Caminho que, em si, já é destino e porvir
Que traz a clareza para dentro do peito
E deixa para o tempo, o ficar e o partir.

Cabe

Dentro dos meus braços cabe o mundo.
Do meu peito o universo inteiro.
Cabe coração, sonhos, constelações
Cabe a lua, sangue pulsante, mansidão.

Cabe quem quiser estar,
Aconchega quem aceitar permanecer.
Cabe uma festa, uma noite, batucada inteira,
Acaba em ternura, doce embalo, eternidade e meia..

terça-feira, 7 de março de 2017

Encontro

Me pego olhando o que fiz,
o que faço da minha vida,
onde procuro meu colo,
onde curo minhas feridas

Percebo que me curo curando,
nas dores do outro, encontro a saída
no seu caminho me encontro um pouco
nos seus amores, a despedida

Me vejo me dando,
sem esperar retribuição,
querendo, é claro, ser amada
mas amando sem que haja razão

Nem sei onde me perco, nesse caminho
Sei que nele me encontro, e nele estou
posso ficar, partir, voltar, seguir sozinha
mas sentir, doar o que sinto, é quem eu sou.

O caminho sempre foi meu objetivo
O caminhar, uma decisão
O encontro, se torna alimento
Doar o que vem de dentro, obsessão...

Minha poesia morreu

Minha poesia morreu.
Ela morre e renasce todos os dias.
A cada bela paisagem vista, retorna gloriosa
e em cada triste pensamento, ela termina.

Minha poesia permanece viva,
ela ganha força, nas minhas noites insones,
desanima, no abrir de olhos,
morta na frieza das contas vencidas.

Minha poesia vive no mundo,
procura emoções por todos os caminhos
se perde nas esquinas, nos desafetos ganhos
e sempre acaba se encontrando, mesmo sozinha

Vida e morte são transições difíceis,
e a poesia se alimenta de inconstâncias
da dor final, colhe belas saudades
das fases da vida, grandes lembranças,

Passo a vida procurando por ela,
em cada fresta encontro um pedaço,
o choro surge quando parece perdida
e por detrás das lágrimas, ganho vida, renasço.

A voz do "polvo'

Eu quando criança era daquelas sonhadoras, que transformava pensamentos abstratos em mundos reais, fantásticos e os vivia intensamente, e os materializava em meu pequeno universo pessoal que era o meu quintal. Ao mesmo tempo era dona de um pensamento literal, quase científico, sobre as coisas que ouvia as pessoas dizerem. Talvez porque a palavra, pra mim, sempre tenha sido meio sagrada e a verdade inevitável. Ainda é. 
È muito difícil pra mim até hoje, dizer mentiras sem que meu rosto me denuncie imediatamente, nem apenas meio verdades, mesmo que sejam essas necessárias como muitas vezes são. Uma pessoa meio poliana que é capaz de dizer a verdade completa até mesmo para o seguro do carro, sem nem imaginar que falar esse tipo de verdade quase sempre te deixa na mão, sem carro, sem seguro, sem possibilidades. "Mas, caramba, eu disse só a verdade pra eles."
Enfim, como dizia acima, quando criança eu tinha o pensamento muito literal sobre o que eu ouvia, quando minha mãe mostrava para uma amiga, por exemplo, uma foto do meu pai e dizia que era uma imagem dele "sem barriga", minha mente literal se punha a imaginar meu pai pela metade, com o peito ligado diretamente á pelvis, sem a barriga no meio, era uma imagem bem estranha, confesso, e como minha mãe me conhecia bem, ainda conhece, rapidamente notava pela minha expressão o tipo de pensamente que se passava naquele momento e rindo me explicava do que estava realmente falando.
Ditados populares pra mim eram grandes enigmas, "a voz do povo é a voz de Deus", por exemplo, na minha cabeça virou "a voz do polvo é a voz de Deus", o que me tomou vários dias de raciocínio, conjecturando sobre o que aquilo queria dizer. Como seria a voz do polvo? E porque deus colocou nesse ser tão "diferente" sua voz? Seria sua voz rouca, profunda como o lugar onde vive tal criatura? Será que Deus fez isso para que nos fosse bem difícil ouvir sua voz, fazendo com que para ouvi-la devêssemos de fato nos esforçar muitíssimo para alcançarmos tamanha profundidade, para encontrar o ser que nos permitiria conversar com ele.
Deus, nesse momento, se tornou um ser fascinante pra mim e seus desígnios motivo para que eu começasse a pensar muito sobre ele e o mundo fascinante onde vivíamos.
Venho pensando muito desde então, as vezes insanidades completas que descarrego em cadernos e em escritas virtuais que por vezes vocês encontram por aqui, as vezes soluções possíveis, para mim e meus pequenos/grandes problemas pessoais, para pessoas próximas (que não me pediram solução nenhuma) e até para o mundo, que continua seguindo seu curso sem que minhas grandes soluções para ele sejam de fato colocadas em prática. Fato é que continuo, aqui dentro, sendo aquela menina sonhadora, literal, olhando o mundo com olhos brilhantes, falando as verdades em que acredita, tentando sempre descobrir os seus mistérios e porquês e encontrar explicação para cada um deles.